sábado, 31 de maio de 2008

Mas o melhor do mundo são as crianças


"Não deixe de ler este importante texto do brasileiro Rubem Alves.

Convidaram-me a participar de um congresso sobre educação, na Itália. Fui. Esperava que fosse igual aos muitos congressos de que já participei: conferencistas famosos, pedagogos, filósofos, professores, educadores, políticos, todos explicando teorias sobre a educação. Assim é porque aqueles que comparecem a congressos são sempre adultos. Mas uma surpresa me aguardava: o congresso estava cheio de crianças. Se são as crianças que vão ser objectos da educação é absurdo pensar sobre o que se vai fazer com elas sem que elas sejam ouvidas.
Lá estavam elas, misturadas com os adultos. Fiquei com inveja delas e saudades do meu tempo de criança. Fiquei fascinado pela oficina para se fazer brinquedos, com serras, martelos, morsas, alicates, papéis, barbante, cola, carretéis, elásticos, madeira, etc. Aí vi que as crianças de qualquer parte do mundo podem se entender porque os brinquedos, como a música, são uma linguagem universal que não necessita de palavras. Os jogadores de xadrez jogam xadrez mesmo se falam línguas diferentes. Crianças de países diferentes podem, juntas, armar quebra-cabeças, jogar pião, empinar pipas, pular corda...

Eu não falo italiano. Estava lá, andando invejoso entre os meninos. Aí um jovem, vendo meu sorriso de inveja, sem dizer uma palavra, veio empurrando um carrinho de rolemã (carrinho de rolamentos) e simplesmente me fez um gesto. Assentei-me no carrinho e lá fui eu, empurrado pelo jovem, correndo como se fosse piloto de fórmula 1, rindo de felicidade. E percebi que andar num carrinho de rolemã me dá mais prazer que guiar automóvel. Quando guio um automóvel sou adulto. Quando ando de carrinho de rolemã sou criança. Só tive uma reclamação a fazer: é que os carrinhos de rolemã são feitos para crianças – o que revela um miserável preconceito. Por que não carrinhos de rolemã tamanho adulto? Por acaso os adultos não têm direitos? Por acaso eles estão proibidos de entrar no mundo das crianças? E não se fala tanto em "inclusão"? Eu quero ser incluído no mundo das crianças. Exijo os meus direitos. Pena que lá não houvesse balanços, um dos meus brinquedos favoritos. Balanços, pra existir, precisam de árvores grandes com galhos fortes ou armações de madeira. E lá não havia nem uma coisa nem outra. É impossível balançar sem se sentir leve e com vontade de rir. Balanço é terapia contra depressão. Lembrei-me do que disse Nietzsche: o Diabo nos faz graves, solenes, pesados; faz-nos afundar. Deus, ao contrário, dá leveza e nos faz flutuar.
Concluo, então, que o balanço é um brinquedo divino, por aquilo que ele faz com a gente. Balançar num balanço é um forma de rezar, de estar em comunhão com Deus.Os brinquedos dão prazer. Os brinquedos fazem pensar. Quer ver? Você sabe que, sem ter ninguém que o empurre, você pode fazer o balanço balançar alto, até fazer o pé tocar na folha do galho, pela simples alternância da posição das pernas, prá frente e prá trás. Eu lhe pergunto então: por que é que essa alternância na posição das pernas, sem encostar em nada, produz o movimento do balanço? E o ioiô? Participei de um congresso sobre brinquedos, na Bahia. Havia uma infinidade de brinquedos em exposição. De alguns, apenas as fotografias. Como, por exemplo, pipas do tamanho de uma casa, pesando quinhentos quilos. E a fotografia de um mosaico grego, de antes de Cristo. Pois nesse mosaico aparecia um grego jogando ioiô! Nunca imaginei que os ioiôs fossem tão antigos! Pergunto: o que é que faz com que o ioiô vá para baixo e para cima? E que dizer dos quebra-cabeças? Quantas funções intelectuais altamente abstractas entram em jogo enquanto se monta um quebra-cabeças! E as bolhas de sabão! Me explique, por favor: por que é que elas são tão redondinhas? Quem joga sinuca aprende, intuitivamente, as leis da composição de forças. E os piões: por que é que se equilibram sobre um prego?
Lá no congresso na Itália parei diante de um quebra-cabeças, dois pregos entrelaçados que, se se pensar bem, podem ser separados. Fiquei longos minutos lutando com os ditos pregos. E pensei: Que coisa mais estranha! Não vou ganhar nada se conseguir separar os dois pregos. O que é que faz que eu esteja aqui, perdendo o tempo e quebrando a cabeça? A resposta é simples: pelo desafio. Todo brinquedo bom é UM desafio. E isso nada tem a ver com esses brinquedos electrónicos comprados, em que não se usa a inteligência mas apenas o dedo para apertar um botão. Brinquedo bom tem de ser desafio. Brinquedo bom tem de fazer pensar.
É possível que você tenha comprado brinquedos para os seus filhos. Mas sugiro que aquilo que seu filho ou filha mais deseja é ter você como companheiro de brinquedo. Não me esqueço da imagem triste de um pai, numa manhã de domingo, empurrando o filho no balanço com a mão esquerda enquanto lia o jornal que segurava com a mão direita. Para aquele pai, brincar com o filho era um sacrifício. Para ele o importante eram as notícias do jornal. A infância passa rapidamente. Logo logo a única coisa que restará será o jornal na mão direita e o vazio na mão esquerda.
No congresso distribuíram uma página com os "Dez Direitos Naturais das Crianças" que quero compartilhar com vocês. "1. Direito ao ócio: Toda criança tem o direito de viver momentos de tempo não programado pelos adultos.
2. Direito a sujar-se: Toda criança tem o direito de brincar com a terra, a areia, a água, a lama, as pedras.
3. Direito aos sentidos: Toda criança tem o direito de sentir os gostos e os perfumes oferecidos pela natureza. 4. Direito ao diálogo: Toda criança tem o direito de falar sem ser interrompida, de ser levada a sério nas suas ideias, de ter explicações para suas dúvidas e de escutar uma fala mansa, sem gritos.
5. Direito ao uso das mãos: Toda criança tem o direito de pregar pregos, de cortar e raspar madeira, de lixar, colar, modelar o barro, amarrar barbantes e cordas, de acender o fogo.
6. Direito a um bom início: Toda criança tem o direito de comer alimentos sãos desde o nascimento, de beber água limpa e respirar ar puro.
7. Direito à rua: Toda criança tem o direito de brincar na rua e na praça e de andar livremente pelos caminhos, sem medo de ser atropelada por motoristas que pensam que as vias lhes pertencem.
8. Direito à natureza selvagem: Toda criança tem o direito de construir uma cabana nos bosques, de ter um arbusto onde se esconder e árvores nas quais subir.
9. Direito ao silêncio: Toda criança tem o direito de escutar o rumor do vento, o canto dos pássaros, o murmúrio das águas.
10. Direito à poesia: Toda criança tem o direito de ver o sol nascer e se pôr e de ver as estrelas e a lua." E aí eu pedi às crianças licença para acrescentar o décimo primeiro direito: "Todo adulto tem o direito de ser criança..."

Como disse Fernando Pessoa, "Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças".

terça-feira, 27 de maio de 2008

A diabolização do Ocidente

Há, quanto a mim, um incómodo mal disfarçado vindo da metade oriental do planeta, em relação à ocidentalização e tudo o que a ela diz respeito – da política à economia e passando pela religião. Não digo que estejamos a assistir a uma divinização do oriente, mas parece-me que há, em curso, uma diabolização do ocidente. De repente, tudo o que está errado no mundo parecer ser culpa…dos europeus e dos americanos.

O facto é que o Ocidente é incontornável e não vale a pena disfarçar ou tentar negar os valores e o valor universal desta cultura que tem, agora sim, dado novos mundo ao mundo.

Samuel Huntington (em «O Choque das Civilizações) é da opinião de que os tigres asiáticos só chegaram a essa fulgurante condição por adoptarem uma ética económica…ocidental!

E.S. Jones (em «O Milagre Europeu») é da opinião de que o ocidente, mais do que inventar, soube e sabe inovar. E, entre outras causas, atribui essa capacidade a um conjunto de crenças religiosas presentes no Ocidente e que propiciam o ambiente onde se pode duvidar, problematizar e arriscar.

Max Weber dizia que foi o desencantamento do mundo que possibilitou ao ocidente rasgar um caminho e recriar a modernidade. Por desencantamento do mundo, neste registo weberiano, entende-se o abandono da ideia de um mundo encantado, sagrado. Weber era mesmo da opinião de que o desenvolvimento nunca poderia vir de uma zona do planeta onde rasgar um monte ou construir uma barragem seria sacrilégio.

Estaremos aqui, no Ocidente, a olhar para o umbigo? Não sei. Mas uma coisa parece certa: não somos únicos, é verdade, mas também não podemos ser obliterados.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O fundamentalismo hindu e a sexualidade...


M.F. Hussain, este artista polémico com 90 anos de idade, representante do modernismo artístico indiano, teve que se exilar da Índia em 2006 por ter alegadamente ofendido os sentimentos religiosos dos hindus fundamentalistas que o acusam de pintar nuas as deusas hindus, enquanto dizem que não faz o mesmo com a madre Teresa ou figuras femininas dos muçulmanos. O tribunal da Relação de Nova Delhi rejeitou as acusações na semana passada. O acórdão diz que na terra de Kama Sutra deve haver uma melhor compreensão da nudez e respeito pela liberdade de quem a sabe apreciar! Entretanto, um dos seus quadros foi vendido por 1 milhão e seiscentos mil dólares na Christie’s em New York, quebrando todos os anteriores recordes.

Fonte: Folhas de História

Acerca do fundamentalismo

Vivemos hoje enleados, enredados no meio de um fenómeno ideológico global que dá pelo nome de fundamentalismo – o fundamentalismo religioso. E tem tido repercussões sociais graves e que se agravam. Mas não é novo; faz lembrar aquele anúncio: «We've come a long way...baby!».

Ainda na Idade Média, no século XI, aparecem os primeiros suicidas pelas mãos de uma seita que se dizia muçulmana. Diante da loucura do comportamento, que contrariava todos os ensinamentos do Alcorão, a resposta encontrada foi uma só: haxixe, eles só podiam fazer aquela loucura drogados. Nunca se provou a tese, mas os muçulmanos apelidaram os adeptos daquele método de os "ashohashin", palavra que entrou em muitas línguas como "assassinos". Os suicidas pertenciam a uma seita fundada em 1090, por Hasan e-Sabbah, um persa xiita que quis retomar o projecto de restabelecer o califado, restituindo-lhe a glória como no tempo do Profeta. Curiosamente, a palavra assassino
tem origem na palavra árabe ashohashin, bebedor de haxixe

No século XII, a Igreja Católica criou a Inquisição – primeiro para queimar albigenses e valdenses. Depois, em 1478, foi criada a Inquisição Espanhola para eliminar judeus e muçulmanos. Finalmente, em 1542, no Concílio de Trento sob o papa Paulo III, foi criada a Inquisição Romana para deter o protestantismo. O cheiro pútrido da carne humana queimada e dos cadáveres em decomposição, infestou a Península até ontem...

No século XVI o protestantismo, acabado de nascer, tenta purificar-se por dentro. Na Suiça, Calvino expulsa da igreja e manda executar os cidadãos que não seguissem a doutrina e prática protestantes. Ainda nesse século, os anabaptistas (os que rebaptizavam) são queimados e afogados em Münster, por acharem que Lutero, Calvino e Zwinglio não eram suficientemente radicais no que dizia respeito ao baptismo.


Depois destas tristes experiências, as igrejas cristãs – católica e protestantes – foram aprendendo a viver com a diferença e a dar lugar ao diferente. A cultura ocidental – nascida na Europa e especialmente na do Norte, protestante – invadiu o Ocidente espalhando os valores do respeito pela diferença e da liberdade individual.

No século XX vemos um recrudescimento do fundamentalismo, agora mais a Oriente. O Islão (na esmagadora maioria do mundo árabe) e o hinduísmo (mais a Oriente, na Índia) têm, dentro de si, perigosas sementes de extremismo e fanatismo religioso, que são preocupantes e que deram muito mau resultado aqui no Ocidente. Estará o Oriente civilizacionalmente mais atrasado? Serão as religiões em causa a causa desse atraso? Será a falta de instrução formal e consequente ignorância a causa de tais comportamentos tão primários?

O islão lida com este fenómeno: os vários movimentos fundamentalistas que nascem como cogumelos dentro do Islão são inúmeros. As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, a Jihad Islâmica, a Irmandade Islâmica, a Hizbollah, a Al-Qaeda…espalham o terror, o medo, o pânico entre comunidades indiferenciadas: tanto matam em Tel Aviv, Nova Yorque ou Madrid, como matam em Beirute ou Bagdad. No Afeganistão, Sayed Perwiz Kambakhsh, de 23 anos, foi condenado à morte por ter tirado da Internet artigos que punham em causa o papel da mulher no islão.

O hinduísmo, se bem que com muito menos intensidade, lida também com este fenómeno: a Índia, que proíbe a entrada de missionários cristãos, viu partir para o exílio o seu artista M.F. Hussain, o qual teve de fugir em 2006 por ter alegadamente ofendido os sentimentos religiosos dos hindus fundamentalistas com as suas pinturas. O tribunal da Relação de Nova Deli rejeitou as acusações na semana passada; veremos agora se Hussain terá condições para voltar.

Qual é a reposta para este flagelo civilizacional que desequilibra o mundo? E são várias as perguntas que suscita:
1. Por que razão as nações árabes (para o caso do fundamentalismo islâmico) não aplicam o remédio clássico: cortar as fontes de financiamento, reprimir essas lideranças e levar a instrução a essas camadas da população analfabeta que vive na miséria?
2. Por que razão as autoridades islâmicas, (as mesquitas, por exemplo,) não convocam conferências de imprensa para condenar publicamente tais actos?
3. O que pode o Ocidente fazer para evitar que várias centenas de pessoas sejam, diariamente, torturadas e que sejam silenciadas, para sempre, as vozes da esperança, da mudança e da modernidade?
4. E o Ocidente, está preparado para não negociar ou ceder às chantagens e ameaças?
5. Que interesses, no Ocidente, nos levam a assobiar para o lado e fazer vista grossa acerca deste vírus civilizacional mortal?

Vale a pena ter esperança?

Acerca do conflito Israelo-sírio


Os governos de Israel e da Síria reconheceram hoje que têm mantido, há já um ano, conversações sob os auspícios da Turquia, com o objectivo de chegar a um acordo de paz.

Os dois lados declararam a sua intenção em manter a boa-fé nas conversações. O gabinete de Ehud Olmert disse ainda que o diálogo será mantido de forma séria e consistente de modo a atingir uma paz abrangente.

Igual posição tomou o governo Sírio, através de um comunicado feito pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, o qual salientou também o empenho do Primeiro-ministro turco Erdogan.

As últimas conversações Israelo-sírias foram interrompidas no ano 2000 quando os dois lados foram incapazes de chegar a um acordo acerca dos montes Golã, ocupados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. Olmert deixou a indicação de que pode devolver parte dessa região estratégica à Síria, em troca da paz e se houver um corte de laços entre a Síria e o Irão e os grupos terroristas da Palestina e do Líbano.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Eu penso...


A loira spice girl Victoria Beckham afirmou à cadeia televisiva BBC que não imagina a sua vida sem sapatos de salto alto.

«Sem saltos altos não consigo pensar. Não me concentro, nem consigo centrar-me em nada», afirmou a esposa do futebolista David Beckham.

Victoria Beckham revelou que, por não conseguir viver sem este tipo de sapatos, não frequenta ginásios: «sou incapaz de usar ténis para desporto».

Esperem aí…eu pensava que nós pensávamos com a cabeça!!! Ficamos agora a saber que há uma subdivisão estranha na categoria dos seres humanos: um tipo de seres que pensam com…os calcanhares.

A futilidade no seu máximo!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Tribunal condena universitário à pena de morte


Foto de Molvi Shamas ul-Rehman, o Presidente do Tribunal Provincial de Primeira Instância que sentenciou Kambaksh à pena de morte.

Foto de Sayed Perwiz Kambakhsh

Sayed Perwiz Kambakhsh é um estudante universitário e jornalista afegão de 23 anos, que recebeu a sua sentença num julgamento em que não teve direito a advogado e que demorou aproximadamente 4 minutos.

O crime: baixou da Internet uns artigos que questionavam valores do islão que têm a ver com os direitos das mulheres.
A sentença: pena de morte.
Depois de ser transferido da prisão onde estava, o que pode constutuir um sinal positivo, foi agora concedida a Kambakhsh uma semana para arranjar advogado e apresentar uma declaração em sua defesa. De acordo com um porta-voz oficial, a decisão final de confirmar ou anular a sentença de pena de morte recairá ainda sobre o Presidente Karzai.
A comunidade internacional – grupos internacionais e afegãos, governos de países e até a ONU – está a mobilizar-se para tentar a sua mais que justa absolvição. Se há comunidades islâmicas que condenam esta barbárie, seria bom darem uma ajuda – oficial, visível e audível. Esses, mais do que ninguém, estão em posição privilegiada para se demarcarem desta injustiça e e evitar que seja cometida.

A preocupaçãodo islão acerca da pornografia. Então e as 70 virgens?


Legenda: «Parem, parem, já esgotámos as virgens!».


O grupo islâmico Hamas anunciou que a Paltel – a principal companhia de telecomunicações de Gaza - vai bloquear o acesso a páginas WEB com conteúdo pornográfico a cidadãos do enclave palestiniano, avança o jornal espanhol El País, na sua edição on-line.

"O objectivo é proteger a comunidade palestiniana da poluição cultural e proteger as gerações mais jovens do uso incorrecto da Internet", explicou o porta-voz do Hamas,Taher al-Nono.

Eu não acredito!!! Uma religião que oferece um promíscuo bacanal celestial com 70 virgens a jovens que matem indiscriminadamente, está agora preocupada em proteger esses mesmos jovens da promiscuidade sexual...

Mas onde é que está a autoridade moral no islão para condenar a promiscuidade sexual? Onde é que está a autoridade moral de quem condena na terra o que promove no céu???

Marx - o velho Marx - continua vivo e relevante!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

O TABACO, A SAÚDE E A ECONOMIA

De acordo com o Jornal Sol, o aumento do preço do tabaco aliado à Lei do tabaco em vigor há 3 meses, provocou já uma quebra nas percentagens de venda do tabaco na ordem dos 15%. Espera-se agora que os resultados se façam sentir também ao nível das patologias. Em Itália, houve um estudo que demonstrou que, nos primeiros meses da lei, se registou uma menor incidência de enfarte agudo do miocárdio.

Mas os benefícios não têm de ser só no âmbito da saúde física. Um amigo disse-me, há dias, que por conta da decisão em deixar de fumar e de aplicar esse dinheiro de outra forma, já comprou, em 2 meses, 250 acções de uma empresa cotada em bolsa. Merece aplausos!

Inqualificável!


Depois de várias hesitações e recusas, a junta militar assassina birmanesa recusou agora a ajuda da AMI...O médico Fernando Nobre, da AMI, lamenta que em 24 anos de ajuda humanitária veja pela primeira vez ser recusado o auxílio. Inqualificável!!! Veja aqui.

O poder de uma vírgula:

O poder de uma vírgula:
«Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, ficaria de joelhos à sua frente».
«Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher ficaria de joelhos à sua frente»

sábado, 17 de maio de 2008

tvnet.pt

A minha passagem pela tvnet.pt está aqui.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Diz o roto ao nu…


Depois de uma apreensão de computadores e minuciosa análise aos seus ficheiros, a Interpol concluiu que o presidente venezuelano Hugo Chávez estava pessoalmente envolvido no financiamento e fornecimento de armas aos rebeldes das FARC, o movimento terrorista da Colômbia. De resto, Álvaro Uribe, presidente colombiano, já vinha dizendo isso há já alguns dias.

O presidente Hugo Chávez respondeu dizendo que a Interpol está a obedecer a ordens dos Estados Unidos para isolar e desacreditar a Venezuela…e acusa o governo colombiano de ser uma “oligarquia de extrema-direita. Uma direita paramilitar, e narcopolítica».

Diz o roto ao nu…

o Vaticano e a astronomia



Gabriel Funes, um padre jesuíta de 45 anos de idade, responsável pelo Observatório do Vaticano e conselheiro científico de Bento XVI, disse esta semana que, com um universo tão vasto e um Deus tão criador, não podemos excluir a hipótese de termos «irmãos extraterrestres». Disse mesmo que a raça humana pode ser a «ovelha perdida» do universo.

O astrónomo disse ainda que a teoria do «big bang» é a hipótese mais provável para a formação do universo.

Funes consegue fazer dois em um: por um lado esvazia o valor da vida humana; por outro, exclui Deus do preocesso de criação!

…também eu estou estupefacto! Até quando é que este astrónomo terá trabalho?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Já se percebeu onde está a doença, a infecção, a praga...


Neste período de celebração dos 60 anos de Israel, o Médio Oriente continua a ser um caldeirão (quase atómico) pronto a explodir a qualquer momento. A culpa tem sido atribuída ao contínuo conflito israelo-árabe.

Será? Ainda ontem, no sul de Baghdad, mais uma mulher-bomba iraquiana (uma nova «moda» entre os criminosos muçulmanos) matou dois militares iraquianos. No mesmo dia, em Abu Ghraib, outro suicida muçulmano fez-se explodir matando mais 22 muçulmanos e deixando feridos outros 40, quando assistiam a uma cerimónia fúnebre. Os últimos dias têm sido marcados pelo ataque iraniano (através da Hezbollah) ao Líbano.

Enquanto os árabes muçulmanos se esventram uns aos outros, transformando países em sepulturas, os judeus vão construindo uma das 30 nações líderes do mundo, perturbados unicamente por muçulmanos assassinos que, aqui e ali, se vão explodindo e arrastando consigo para a morte cidadãos inocentes. O conflito no Médio Oriente não é por causa dos judeus e de Israel…é por causa dos árabes muçulmanos que têm e mantêm uma cultura de agressão, violência e morte entre si próprios! Nem respeitam as diferenças entre si – as diferensças religiosas, étnicas, políticas - quanto mais a diferença entre eles e os outros…

O que vemos no Médio Oriente é, fundamentalmente, guerras intestinas de árabes contra árabes, muçulmanos contra muçulmanos. São vários os tabuleiros onde se jogam essas raivas: é a Fatah contra o Hamas, são os xiitas contra os sunitas, é o Irão contra o Líbano…é a Hezbollah a chacinar os seus e a Al-Qaeda a praticar um terrorismo sórdido contra o seu próprio povo. Ainda hoje, essa facção muçulmana ameaçou perpetrar ataques terroristas durante o Euro 2008.

Conflito israelo-árabe? Ou antes conflito árabe contra tudo e contra todos? Conflito árabe-árabe; conflito árabe-europeu (com os atentados em Londres e Madrid) ; conflito árabe-americano (com os atentados no 11 de Setembro); conflito árabe-asiático (com o atentado em Bali)…


Por favor! Já se percebeu onde está a doença, a infecção, a praga...já se percebeu o que se vai dizendo, ainda muito a medo (sabe-se lá porquê…): que os árabes muçulmanos, quando estão no poder são ditadores; quando estão na oposição são terroristas.


Remédios caseiros...

- Fuma?
- Pouco.
- Faz bem. Quanto menos melhor.
- Bebe?
- Pouco.
- Ainda bem.
- Pratica desporto?
- Não posso. Tenho lesões antigas.
- Pois é pena.
- E sexo, pratica com frequência?
- Muito pouco.
- Isso é que não pode ser. Se não pratica desporto, deve compensar fazendo muito sexo. Vá para casa e pense bem nisso…

Ele vai para casa, conta à mulher o que o médico lhe disse e, de seguida,vai tomar um banho..A mulher, esperançosa, enfeita-se, perfuma-se, põe o seu melhor baby-doll e fica à espera dele, numa pose toda provocante. Ele sai do banho, perfuma-se cuidadosamente, começa a vestir-se, e a mulher, surpreendida, pergunta:
- Aonde é que vais?
- Não ouviste o que o médico me disse?
- Sim, por isso mesmo estou aqui, já prontinha para… tu sabes!
Então ele responde:
- Ah, Francisca, Francisca, lá estás tu outra vez com a mania dos remédios caseiros…

Fonte: A ovelha perdida

O mexicano Manuel Uribe, de 43 anos, foi notícia por ser o homem mais pesado do mundo, com 560 kg; agora é de novo notícia pela razão inversa: por ser o homem que mais peso perdeu. Uma dieta começada em Abril de 2006 já o fez perder 235 Kg. O seu peso actual situa-se agora nos 325Kg. O seu alvo é chegar a 2010 com 130Kg, o que implica uma perda de peso de 430 Kg.

Uribe atribui a culpa do seu peso às pizzas e hamburgers que comeu avidamente durante a década de 90, enquanto trabalhou nos Estados Unidos como técnico de informática.

Tendo sido viciado em junk food, Uribe diz agora que nasceu de novo ao tornar-se cristão evangélico e quer levar o resto da sua vida a sensibilizar as pessoas para a necessidade de uma alimentação saudável.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

E vão 15...



E vão 15…quinze aumentos no preço do combustível desde o início do ano!!!
A Galp desculpa-se com o preço do crude, mas parece que, noutros países, essa flutuação do preço do crude não causa tanta instabilidade e subida nos preços dos combustíveis…

A igreja católica não quer pagar impostos!!!



O monsenhor Luciano Guerra, reitor do santuário de Fátima, criticou ontem a medida concordatária que determina o pagamento de impostos sobre os juros dos depósitos provenientes das ofertas dos crentes. Luciano Guerra entende que "se o capital é da actividade religiosa não deve ser sujeito a tributação fiscal".

E continua dizendo que «mesmo a loja de artigos religiosos não deve ser tratada como outra loja qualquer, do ponto de vista fiscal, porque não a queremos para construir riqueza com fins alheios à nossa actividade espiritual".

Deixe o seu comentário…

terça-feira, 13 de maio de 2008

Há leis que são só para os outros...



A notícia, amplamente difundida, dá conta que José Sócrates, Manuel Pinho e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo da TAP entre Portugal e Venezuela. O assunto foi muito comentado durante o voo e causou incómodo a algum pessoal de bordo.

O supervisor do voo, a 2.ª autoridade a bordo logo após o comandante, disse não ter dúvidas de que era proibido fumar a bordo e, embaraçado, falou em «situações de excepção». Um assessor do primeiro-ministro disse que «é costume» e que as pessoas a bordo «não se importaram».

A notícia não vale nada do ponto de vista jornalístico, mas é reveladora de um servilismo viscoso por parte do supervisor de voo e de uma arrogância repugnante por parte do assessor que se apressou em inventar uma justificação mal amanhada.

Mas «é costume» o quê?
É costume estes funcionários pensarem que estão acima das leis que criam?
É costume pensarem que a sua presença obriga a situações de excepção?
É costume a sua presença intimidar pessoas dóceis que se calam?


Vamos lá mudar os costumes…!

O que se passa esta manhã na RTP é abjecto



Que a televisão pública noticie um evento que congrega múltiplas dezenas de milhares de portugueses, percebo. Como fenómeno de massas (do ponto de vista quantitativo...), exige-se a notícia.

Agora, que a televisão pública gaste horas de emissão na transmissão de um programa confessional, aí a conversa já é outra! O que se passa esta manhã na RTP é abjecto.

Quem é que paga estas horas de transmissão religosa??? E desde quando é que este comportamento é consentâneo com o facto de sermos um Estado laico???

Continuo a achar que a religião é privada e deve ser praticada dessa forma; quem a quer com dimensão pública...pague; como outros, como todos.

E que tal uma mobilização em massa, para assinar uma queixa a apresentar à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação) ?

Um número verdadeiramente astronómico



29 milhões de dólares (quase 4 milhões de contos!!!) - é este o valor pago pelo criador de moda italiano Giorgio Armani, que apresentou uma das maiores declarações de rendimentos deste ano!!!

Meia-dúzia destes contribuintes...resolviam-nos o défice!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

MAX WEBER, tipos de poder e os tipos do poder...



Max Weber escreveu um ensaio sobre os «Três tipos de poder»: o poder tradicional, o poder legal e o poder carismático. Mas os tipos do poder criaram um novo tipo de poder…

Depois do Presidente Nicolas Sarkozy se acertar com a modelo Carla Bruni, o Presidente Vladimir Putin ter alegadamente tido um caso com a ginasta Alina Kabaeva e o Presidente Hugo Chávez ter andado perdido de amores pela modelo britânica Naomi Campbell, Weber teria de adicionar um novo tipo de poder aos anteriormente identificados: depois do poder tradicional, legal e carismático, há agora o poder cosmético!

Pessoalmente, questiono o sentido de responsabilidade, seriedade e sobriedade que tais indivíduos têm no exercício de cargos públicos, quando esses mesmos indivíduos dão tantas provas de futilidade e volatilidade na vida pessoal…

Vamos lá descer à terra...


A revista «Time» de hoje diz que a Companhia aérea americana Northwest Airlines aumentou em 8 minutos o tempo de percurso para um voo transatlântico ao reduzir a velocidade cruzeiro em 10 m.p.h. (16 Km/h). Essa redução possibilitará uma poupança de 162 galões (613 litros!!!) de combustível nesse percurso.
Outra companhia aéra, a Southwest Airlines, espera ver uma redução de 42 milhões de dólares em combustível, durante este ano, ao reduzir a velocidade de voo; essa redução da velocidade vai fazer aumentar entre 1 a 3 minutos os tempos de voo.
Começo a desconfiar que uma maior regulação governamental sobre o sector dos transportes não fazia mal a ninguém...

domingo, 11 de maio de 2008

Uma mulher de armas...à defesa!


Zapatero fez tudo menos jogar à defesa quando nomeou Carmen Chacón como ministra da Defesa do seu governo! Chacón é a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Defesa e a primeira mulher a ocupar um cargo ministerial…estando grávida.

Ao que parece, Chacón ocupou já outros cargos de relevo na vida partidária e ao nível governamental; a sua competência não é, por isso, posta em causa. Mas ver uma mulher grávida a passar as tropas em revista…lá que é diferente…ah é isso é!

Mas fica sempre a dúvida: com uma nomeação tão mediática, Zapatero privilegiou a competência ou a cosmética?

O que se faz em sessenta anos...



Falou-se muito dos cinco tigres asiáticos: Japão, Taiwan, Singapura, Coreia do Sul e Hong Kong. Nações que, num curto espaço de tempo, saíram de uma pobreza abjecta para níveis de prosperidade assinalável. Seria de toda a justiça falar-se igualmente do tigre do Médio Oriente: Israel.

Faz, este mês de Maio, sessenta anos que, nas areias inóspitas do Médio Oriente, foi fundado o Estado de Israel, num contexto em que ninguém dava grande coisa pelo projecto. Os fundadores eram uma mão cheia de sonhadores, vigiados por dezenas de milhões de árabes prontos a esmagá-los. Não tinham exército nem dinheiro e alguns deles vieram dos horríveis campos de concentração nazi, onde 6 milhões de judeus tinham já sido executados naquele que foi o genocídio mais sinistro da história da humanidade.

Ainda assim tinham uma convicção: construir um espaço seguro onde pudessem proteger-se do anti-semitismo brutal que esporadicamente era praticado em muitas das nações monoteístas que descendiam religiosamente de Abraão, o pai comum dos judeus, cristãos e muçulmanos.

Tudo estava contra eles: os vizinhos, a geografia, o solo miseravelmente seco e a diversidade cultural dos que regressavam – até na língua tinham dificuldade porque o hebraico era mais uma língua ritual, praticamente morta, usada nas sinagogas para as celebrações religiosas. Os que regressavam falavam alemão, polaco, turco, árabe ou grego. Vinham de culturas e tradições diferentes e de diferentes níveis culturais e intelectuais. Etnicamente acrescia outro problema: estavam divididos em duas comunidades que nem sempre se entenderam: os judeus ashkenazi, de origem alemã-polaca e os judeus sefarditas, originários da península ibérica de onde foram expulsos no finais do século XV. A criação de uma identidade comum era ainda dificultada pelo facto de nem sequer terem um fenótipo que os caracterizasse fisicamente como povo. Esta variedade não era a melhor forma de criar uma unidade coesa de modo a resistirem contra os vizinhos hostis que os queriam empurrar para o mar.

O que fizeram os israelitas durante estes 60 anos e apesar de todas estas diferenças? Criaram uma economia de mercado fulgurante, um Estado de direito democrático moderno e uma democracia parlamentar que reflecte a diversidade desta sociedade vibrante de 7 milhões de habitantes, que goza de todos os direitos individuais. E tudo isto apesar da enorme turbulência em que têm continuamente vivido. Construíram uma nação altamente instruída com uma taxa de alfabetização de 97,1% em que o número de utilizadores da Internet é de 2 milhões. Têm um dos menores índices de violência social e uma minoria de 16% de israelitas muçulmanos, homens e mulheres que, apesar de não serem facilmente assimiláveis, gozam de mais dignidade, liberdade e prosperidade que qualquer outro grupo árabe à face da terra.

O rendimento per capita anual é de US $ 29.000,00 e, de acordo com as Nações Unidas, está entre as 30 nações líderes do mundo, a cujo grupo não pertence nenhuma outra nação do médio oriente. E tudo isto apesar de ter de gastar 8% do seu PIB em armamento e defesa, porque o clima de provocação e hostilidade contínua não faz desaparecer do cenário uma quarta guerra, depois de o país ter sangrado em três guerras anteriores.

De que forma conseguiu Israel atingir este milagre económico, social, político? Através de uma imensa riqueza de capital humano, que se reflecte num ética de responsabilidade, virtudes cívicas e imenso respeito pela lei, pelo rigor, pelo trabalho e pela individualidade. Tudo isto tem-lhes permitido chegar à excelência em áreas tão variadas como a agricultura, comunicações, electrónica, equipamento médico, armamento e até na engenharia espacial, porque agora também os satélites israelitas circundam a terra!

Sessenta anos! Enquanto os judeus construiriam Israel, uma potência mundial, em sessenta anos, Antero de Quental diz que a inquisição destruiu Portugal também em sessenta anos!!!

O tempo trar-nos-á aquilo que fizermos com ele…

Luís Seabra Melancia

sábado, 10 de maio de 2008

É preciso muita água benta para tanta presunção...


A democracia espanhola corre o risco de "se dissolver" por conta da "cultura do laicismo radical". Quem o diz são os bispos espanhóis, só porque viram os faustosos financiamentos do Estado e outras regalias fiscais lhes serem retiradas!

O quê??? A democracia em risco só porque os padres começam a ter de pagar impostos e a Igreja Católica passa a ter de pagar imposto pelos negócios imobiliários? Talvez nunca a democracia esteve tão saudável e vigorosa...

Readaptando o ditado, diria que é preciso muita água benta para tanta presunção...

Pode ler aqui todo o artigo.

Ontem repulsa...hoje orgulho!!!


Ontem senti indignação e contida repulsa pelos personagens Pinto da Costa e João Loureiro, suspensos da actividade desportiva por terem ficado provadas infracções gravíssimas cometidas por eles enquanto dirigentes desportivos. A Comissão Disciplinar da Liga de Clubes não teve dúvidas e aplicou-lhes o castigo: suspensão da actividade desportiva durante 2 e 4 anos, respectivamente. Personagens sombrios, falsificadores da verdade desportiva!

Hoje senti orgulho: Vanessa Fernandes sagrou-se esta manhã pentacampeã europeia de triatlo nos campeonatos que se disputaram no Parque das Nações, em Lisboa. E foi campeã europeia pela quinta vez consecutiva!

Vanessa Fernandes, de expressão aberta e sorriso franco e sincero, contrasta com essas figuras sinistras, obscuras que têm tudo a esconder...e a temer. Ela serve o desporto, honra o país e dá alegrias aos adepos; estes servem-se do desporto, envergonham o nome de Portugal e enganam os adeptos.

Que Vanessa Fernandes me desculpe por ter misturado o seu nome com nomes de gente tão tenebrosa...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Quem fala assim...

«Prefiro estar cá em baixo, na terra, com todas as perguntas do que estar já lá em cima, no céu, com todas as respostas».
Rabi Jonathan Sacks

Natalidade e aborto...


De acordo com o jornal Meia-Hora, mais de 54 milhões de europeus vivem sozinhos e dois em cada três lares não têm nenhuma criança, segundo um relatório sobre a evolução da família na Europa em 2008, apresentado ontem no Parlamento Europeu.

Segundo o relatório – elaborado por psicólogos, demógrafos, sexólogos e peritos em conciliação entre trabalho e família –, a Europa é um continente velho “imerso num Inverno demográfico” com a natalidade em crise.

Por outro lado, adianta o relatório, são praticados por ano mais de um milhão e 200 mil abortos nos 27 países da União Europeia, “o que equivale a um aborto a cada 27 segundos”.

Os maiores de 65 anos já superaram em mais de seis milhões os jovens de 14 e cada vez nascem menos crianças.
As implicações - sociais, económicas, culturais e até políticas - a médio e longo prazo são aterradoras...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Impressão digital



Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!"


António Gedeão, in Movimento Perpétuo

Uma história ao fim do dia...


Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia.

Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

– Posso fazer três perguntas?
– Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas vá lá...pergunta!­
– Pertenço à tua cadeia alimentar?
– Não.
– Fiz-te algum mal?
– Não.
– Então porque é que me queres comer?
– PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

E é assim...diariamente tropeçamos em cobras...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Mais uma face da China...


No oitavo dia, do oitavo mês, do ano terminado em 8 – dia 8 de Agosto de 2008 – exactamente às 08:08:08 da noite, dar-se-á início aos Jogos Olímpicos em Pequim. O confucionismo e as religiões populares chinesas acreditam que fazer-se coincidir o dia e a hora é uma forma de atrair a sorte.

De facto, para além das reivindicações políticas tibetanas, estes Jogos Olímpicos podem também tornar-se num fórum internacional onde a crescente presença e ambição dos grupos religiosos pode ser também exposta ao mundo. E isto porque contrariamente ao que podia supor-se, de acordo com uma pesquisa de 2006 levada a cabo pela Pew Global Attitudes Project, 31% dos chineses considera a religião como muito importante nas suas vidas. Entre todos os inquiridos, somente 11% disseram que a religião não tem qualquer importância para eles. A surpresa destes números reside no facto de espelharem uma realidade que poderia não coincidir com a imagem de um país secularista e de filosofia ateísta, desde há praticamente seis décadas. Ainda de acordo com a mesma fonte, as principais correntes religiosas trazidas de fora com expressão na China são o budismo, o cristianismo (protestantismo e catolicismo) e o Islão.

O budismo representa entre 11% e 16% da população.

No cristianismo, protestantes e católicos valem, juntos, 4% da população e, de acordo com os números adiantados pelo governo chinês, o número de cristãos aumentou de 14 milhões para 21 milhões – 50% – em menos de 10 anos. Mas os números e crescimento entre protestantes e católicos são diferenciados: durante esse período, os protestantes aumentaram de 10 milhões para 16 milhões – um aumento de 60% – e os católicos de 4 milhões para 5 milhões – um aumento de 25%. Diga-se ainda que o número de cristãos protestantes cresceu 20 vezes desde que chegou à China no século XIX. E isto sem mencionar os milhares de grupos que se reúnem em casas sem o reconhecimento oficial e aprovação do Estado…

Já o islão representa somente 1,5% da população chinesa.

É interessante ver agora se o comunismo chinês se adaptará às forças do mercado religioso, tal como parece estar a ajustar-se às forças do mercado económico.

Luís Melancia

Ele há um ditado, já muito antigo, que diz qualquer coisa acerca de umas moscas que se mudam…



Alípio Ribeiro disse ontem, a uma estação de Rádio, que as suas declarações inflamatórias relativas à tutela bicéfala das Polícias foram por ele cuidadosamente pensadas e proferidas.

Já se percebia que o Director Geral da PJ queria ir embora…e agitar as águas foi a forma que ele próprio arranjou de fazer transbordar o copo!

«Mas porquê?», perguntamos nós!

Entretanto, e como quem não quer a coisa… as novas Leis de Segurança Interna e de Organização da Investigação Criminal são discutidas e votadas hoje na Assembleia da República. Um dos pontos mais polémicos é a criação de mais um tacho político: o cargo de secretário-geral de segurança interna.

De acordo com uma notícia do Rádio Clube, sabe qual é o nome apontado para ocupar tal cargo? Bingo…
Alípio Ribeiro!!!

Será que Cavaco Silva percebe agora por que razão as pessoas estão cada vez mais distantes da política e desconfiadas dos políticos?

Ele há um ditado, já muito antigo, que diz qualquer coisa acerca de umas moscas que se mudam…

Luís Melancia

Alerta máximo a quem não faz nada...



Em determinado país, depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa multinacional contratou um grupo de canibais para fazerem parte da sua equipa. "Agora fazem parte de uma grande equipa" - disse o Director de RH durante a cerimónia de boas vindas. "Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à cantina da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor".

Quatro semanas mais tarde, o chefe chamou-os: "Vocês estão a trabalhar muito bem e estou satisfeito. Mas desapareceu a mulher que serve o café. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?". Todos os canibais negaram com a cabeça.

Depois do chefe ir embora, o líder canibal pergunta-lhes: "Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o café?" Um deles, timidamente, ergueu a mão.O líder respondeu: “Mas tu és mesmo uma besta! Nós estamos aqui, com esta tremenda oportunidade nas mãos. Já comemos 3 directores, 2 subdirectores, 5 assessores, 2 coordenadores, e uns 3 administradores, durante estas quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não… Tu tinhas de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!”.

De «Folhas de História»

terça-feira, 6 de maio de 2008

Confiança


O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

Miguel Torga

Amazing Grace

Eu, que nunca me ajeitei com a viola, pensava que o erro era das violas. Pensava que eram instrumentos que tinham sido mal concebidos e por isso não facilitavam nem a aprendizagem nem a execução de peças musicais. Tentei culpar o número de cordas, a distância entre elas, o material de que eram feitas, a grossura do braço da viola, o formato bizarro do instrumento...e estava convencido - firmemente convencido: a culpa... é da viola.

Até que vi e ouvi o Tommy Emmanuel!

Cada um de nós é como uma viola e por vezes não gostamos do som que dela sai! A culpa é da viola...não presta! Culpamo-nos pelas nossas dissonâncias e desafinações... e achamos que tudo em nós está feito para não dar certo!

Até que experimentamos entregar a viola - a nossa vida! - nas mãos do Grande Artista...

E não é que música é outra???

A pergunta que se impõe é: quem é que toca a sua viola?

Luís Melancia

Partido ou...estilhaçado!


Depois de se saber que perdeu o crédito bancário e que está a perder credibilidade entre os portugueses, o PSD faz hoje, terça-feira dia 6 de Maio, 34 anos!

Mas nesta altura, esta formação política já é mais que um partido: é um estilhaçado!

A pergunta agónica que se impõe é: por que carga de água se abateu o céu – ou o inferno – sobre este partido desconjuntado? Quem é o causador de tamanha desordem?

Para Morais Sarmento, a culpa está no líder – era fraco. Pacheco diz que a culpa era da liderança – havia duas. Menezes diz que a culpa não era da liderança, era da oposição interna. E assim se vão fabricando culpados; ...culpados mas pouco!

A culpa… é de Sócrates! De um primeiro-ministro socialista que teve o jogo de cintura suficiente para irromper, desembestado, pela direita a dentro ao ponto de conseguir convidar e conviver com Freitas do Amaral como seu ministro de Estado! O facto é que o seu modelo mais social-democrata que socialista de governo apanhou a direita de surpresa, assaltou-lhe a casa e fez estragos. Justiça lhe seja feita, conseguiu fazer o pleno: governa com maioria absoluta no país, tem as hostes domesticadas dentro do seu próprio partido e conseguiu soltar as feras no circo da oposição. Tem tido, até agora, o país, o partido e a oposição no bolso!


E as coisas, lá pelos lados da rua de S. Caetano à Lapa nº9, não parecem ganhar jeito! Senão vejamos:

Ao jovem Pedro Passos Coelho, convenhamos, falta-lhe sal;
Já Santana Lopes deveria estar sossegado, em salmoura;
A anciã Manuela Ferreira Leite está fora de prazo, é de ontem;
E Patinha Antão…quem é?

A meu ver, duas pessoas – e só duas – teriam a possibilidade de pôr a casa em ordem e ajustar contas com o causador disto tudo. O primeiro é António Borges; mas aguentaria ele o embate e o combate político? É um arrivista e nunca ganhou coisa alguma na política.

E depois há Rui Rio, que politicamente tem tudo mas falta-lhe o principal – vontade.

Por este andar, o Primeiro-ministro e o governo continuarão de férias.

Luís Melancia

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!


Hans Küng

Para o Prof. Álvaro Santos Pereira, professor da Universidade de York, são três os grandes problemas que a Igreja Católica de hoje enfrenta: (1) a concorrência das outras igrejas, (2) uma crise de vocações e (3) o número de almas disponível por força do aumento do secularismo.

Quando em Novembro os bispos portugueses fizeram a sua visita quinquenal ao Vaticano, a visita "Ad Limina Apostolorum", levaram «um puxão de orelhas do Papa» quando ouviram Bento XVI diagnosticar os grandes problemas da Igreja Católica em Portugal: «é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II».

Até agora estamos no diagnóstico; o necessário, contudo é uma prescrição terapêutica que salve a Igreja Católica da condição profetizada pelo Prof. Alfredo Teixeira quando diz que «a Igreja na Europa tem o chão a fugir-lhe dos pés e não vai poder voltar a ser o que já foi».

Para que essa renovação aconteça, basta a Igreja Católica dar ouvidos a uma das suas vozes proféticas mais claras, nítidas e lúcidas; a voz e o pensamento de um homem que, apesar da sua pertinência e relevância, tem sido inquisitoriamente silenciado no nosso tempo: a voz do padre Hans Küng, um profeta para o nosso tempo!

Quem é Hans Küng? É um padre católico suíço e um dos mais brilhantes teólogos cristãos do nosso tempo; foi perseguido e banido por João Paulo II por apresentar, há 25 anos atrás, o que chamaríamos de «roteiro para revitalização da Igreja Católica». Se Bento XVI e os bispos portugueses ouvirem o padre Hans Küng, vão ouvir dizer que a sobrevivência da Igreja Católica depende de:

1. Abandonar o dogma da infalibilidade Papal;
2. Terminar com a imposição do celibato dos padres;
3. Acabar com o que ele chama de «clube do Bolinha»(isto é, mulher não entra...).

4. Aceitar o uso de anti-concepcionais;
5. Deixar o culto do marianismo católico;

6. Reconhecer os ministros protestantes e as celebrações eucarísticas protestantes.

O roteiro, apresentado por Hans Küng no seu livro «Por que ainda ser cristão hoje?» (editado pela Verus Editora, do Brasil) está traçado. Seria bom que a Igreja Católica Portuguesa tivesse a coragem de fazer o que parece impossível: fazer-se à estrada e levar o povo português pelo caminho da renovação! Todos ganharíamos!!!

Luís Melancia

A mala de cartão...



No século XIX, o libertador venezuelano Simon Bolívar dizia que a única esperança para os latino-americanos seria emigrar!

Os portugueses do século XXI seguiram-lhe o conselho: foram à arrecadação buscar a mala de cartão e puseram-se ao caminho. É que somos 10 milhões cá dentro mas já somos 5 milhões lá fora! E entre os anos 2000 e 2006, a percentagem de emigrantes nos principais países europeus aumentou 52,6%, segundos números da OCDE.

Numa abordagem mais humorística, diríamos que não admira: o exemplo veio de cima. Dois dos que nos governaram fizeram exactamente isso: emigraram! O HOMEM DO PÂNTANO emigrou para Genebra para trabalhar na ONU; o HOMEM DA TANGA emigrou para Bruxelas para trabalhar na EU.

Já numa abordagem mais séria, diríamos que é preocupante o facto de estarmos a assistir a uma movimentação social que faz lembrar os tempos anteriores a Abril…

Parafraseando Hamlet, diríamos que algo vai mal no reino de… Portugal!
Luís Melancia

O Papa fora da lista...

Acabei de receber, pelo Correio, a «Time» desta semana. Confirma-se: o Papa não faz parte da lista das 100 personalidades mais influentes do mundo, de acordo com a selecção feita pela prestigiada revista «Time Magazine».

A crescente perda de influência da Igreja Católica no mundo, fruto dos sucessivos escândalos sexuais e outros, que começam a vir a lume, prometem lançar achas numa fogueira de proporções incontroláveis…

Mas parece que a coisa não fica por aqui: o Papa não está só fora… parece que está também de saída! De acordo com um blog da Reuters,
os 81 anos do Papa, o cansaço visível, a crescente delegação de responsabilidades papais e uma saúde frágil com complicações cardíacas, apontam para um cenário de possível substituição.

Começa a falar-se de um «Papável» sul-americano, das Honduras, Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga, 65, com grande intervenção e credibilidade junto das estruturas vaticanas. Será essa a forma de tentar a penosa e, ao que tudo indica, impossível tarefa de reavivar o catolicismo na América Latina em geral e no maior país católico do mundo (o Brasil) em particular?


É claro que o pobre Ratzinger sempre foi Papa a prazo porque nunca seria coisa fácil substituir João Paulo II… A questão era saber por quanto tempo!

Luís Melancia

Democracias...católicas ou protestantes?


De acordo com o Diário de Notícias, a qualidade da democracia portuguesa está longe de se comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana").

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top".

No cômputo geral, a Demos concluiu o que já se intuía: há um claro padrão geográfico na qualidade das democracias. Os países nórdicos são os melhores. As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu. Os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos, diz o referido jornal!

No que diz respeito ao papel que a religião desempenha no desenvolvimento de um país, parece que a Ciência Política descobriu agora, em relação à qualidade da democracia, o que Max Weber já tinha descoberto, no século XIX, em relação à qualidade da economia: os vários indicadores de desenvolvimento indicam que os países protestantes são mais desenvolvidos que os católicos!!!

Luís Melancia