sábado, 19 de dezembro de 2009

...até as ouvirmos!

Não sei quem é o autor, mas está brutal:

«Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes... até as ouvirmos".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O café nosso de cada dia...

A Delta Cafés solicitou uma reunião com o Papa. Após receber a bênção, o representante cochichou:

- Vossa Santidade, nós temos uma oferta. A Delta está disposta a doar 50 milhões de euros à Igreja, se Vossa Santidade mudar a frase da oração do Pai-Nosso, de "o pão nosso de cada dia nos dai hoje" para "o café nosso de cada dia nos dai hoje".

O Papa responde:

- Isso é impossível. A oração é a palavra do Senhor e não pode ser mudada.

- Bem, diz o homem, nós já prevíamos a sua relutância e, por isso, nós aumentamos a oferta para 100 milhões de euros. Tudo o que pedimos é que se mude a frase de pão para café.

Novamente o Papa responde:

- Isso, meu filho, é impossível. A prece é a palavra de Deus e não pode ser mudada.

Finalmente, o homem da Delta diz:

- Vossa Santidade, nós, da Delta respeitamos a Vossa fé, mas nós temos uma oferta final: doaremos 500 milhões de euros para a Igreja Católica, simplesmente se a frase "o pão nosso de cada dia" for mudada para "o café nosso de cada dia". Por favor, pense nisso.

E o homem retirou-se.

No dia seguinte, o Papa convoca o Colégio dos Cardeais e diz:

- Tenho duas notícias para dar: uma má e a outra boa. A boa notícia é que a Igreja vai receber uma doação de 500 milhões euros.

- E a má notícia, Santidade?, pergunta um dos cardeais.

Responde o Papa:

-Vamos rescindir o contrato com a Panrico…

sábado, 12 de dezembro de 2009

O que me vai no peito

Um grande desígnio nacional, uma ideia mobilizadora, um sonho realizável, uma esperança, um projecto, um desafio, é isto que, enquanto País, nos falta.

Pessoa, na «Mensagem», refere este estado de desânimo: «Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.». É assim como se as águas cheias se transformassem em espuma vazia. Depois da viagem, as caravelas apodrecem agora na praia. Ficou a mão cheia de coisa nenhuma!

E termina com um grito – um grito fundo: «Senhor, falta cumprir-se Portugal.».

Não nos chegam – e servem para pouco, para muito pouco – as glórias passadas. Não podemos ressuscitar os cadáveres, precisamos é fazer nascer uma nova realidade.

Pedro Barroso, na sua canção «Viva quem canta», canta acerca de um «país por inventar» como refere numa das quadras.

Já vivi o suficiente para perceber que um país se inventa, ou se reinventa, de várias formas. Hoje, apetece-me acreditar que Pedro Barroso tem razão: que um país também se reinventa no peito de quem tem uma canção.

Viva quem canta
que quem canta é quem diz
quem diz o que vai no peito
no peito vai-me um país

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quando estes senhores perderem as eleições em Salvaterra...aí é que vai ser lindo!

«Falta de democracia». É assim que alguns «bloquistas» interpretam o facto de o BE não se ter conseguido fazer eleger para tomar conta da Mesa da Assembleia. A culpa foi da falta de democracia.
Para estes senhores, a culpa é da oposição que se entendeu entre si para democraticamente, às claras e numa votação perfeitamente transparente, conseguir ficar com a Mesa. Com a coligação PS/PSD e com a abstenção da CDU, ficaram garantidos os votos suficientes para derrotar as intenções do Bloco de controlar a Mesa. E foi o povo que entendeu, de novo, não dar a maioria absoluta ao BE e deixar a decisão da constituição da Mesa nas mãos dos deputados eleitos.

Depois veio a picardia: o BE a dizer que o PSD é incoerente porque condenou a coligação do seu militante com o candidato do BE à freguesia de Salvaterra mas foi, por outro lado, fazer uma coligação com o PS para a Mesa da Assembleia. «Dois pesos e duas medidas», clamam, reclamam e vociferam os queixosos!

Ora bem:
1. Basta não ser analfabeto político para perceber que uma coligação PS/PSD é uma coligação entre dois partidos muito mais próximos ideologicamente do que uma coligação entre o PSD e o BE. Esta seria uma coligação ideologicamente impossível: o PSD/Salvaterra não se coliga com Trostkistas-Leninistas, que de democracia nada têm a ensinar e muito têm a aprender.

2. Falta de democracia? Será bom lembrar que a constituição da Mesa, tal como está, resulta exactamente de um exercício de democracia – resulta de uma coligação transparente e de uma eleição democrática, perante todos, publicamente.

3. Falta de democracia? O BE que olhe para a forma como fez a coligação em Salvaterra: à revelia, às escondidas, nas costas do PSD, aliciando secretamente, sem pudor nem ética, um militante que, por alguma razão, cedeu à sedução. Está bom de ver que no que diz respeito aos comportamentos políticos do PSD e do BE, a falta de respeito democrático, a falta de verdade, a falta de transparência – numa expressão: a «falta de democracia» não está deste lado.

Brown e Obama

E agora, para descontrair, aqui vai um vídeo que descreve a subtil diferença entre Gordon Brown e Barack Obama...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aviso à navegação


Arthur Schopenhauer

De tempos a tempos tenho de colocar, aqui, a citação do velho Arthur Schopenhauer, que chamava VELHACOS a esses que usam o anonimato para atacar às escondidas quem vem a público de cara destapada.

O artigo imediatamente anterior a este foi visitado por um verme social, um cobarde repugnate, um nojento de mau hálito, ressabiado, asqueroso. Não sei se o comparo a uma minhoca que vai fazendo um caminho na lama, debaixo dos nossos pés, ou se o comparo a uma lombriga que vive e come das fezes intestinais de uma certa agremiação...identificada!

Este comportamento ordinário vem de gente torpe que usa a blogosfera para fazer, cobardemente, o que não tem corajem de fazer às claras. Deviam ter vergonha de se ver ao espelho; deviam ter vergonha de sair à rua. Uma baixaria. Escondem-se atrás do anonimato para tentar a calúnia, espalhar o boato e provocar...

Cuidado!

Deixo aqui um repto e um aviso a essa figura larvar: seja homem e identifique-se. Tem medo de quê???

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O MINI-mundo de Salvaterra de Magos

A eleição para a constituição da Mesa da Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos, levada a efeito na passada sexta-feira, trocou de novo as voltas ao Bloco de Esquerda.

Pedro Choy, o cidadão mais votado pelos munícipes não conseguiu, tal como há quatro anos, ser eleito Presidente da Mesa da Assembleia Municipal. Isto porque a oposição se concertou e juntou os votos para que a Mesa ficasse entregue ao PS e ao PSD. Devo dizer, contudo, que o Dr. Pedro Choy merece o maior respeito; o Dr. Pedro Choy representa o melhor da sociedade civil em Salvaterra e Salvaterra teria a ganhar se ele tivesse conseguido a eleição (ele…não o Bloco). É pena ter-se deixado colar ao Bloco de Esquerda e ter cedido ao aproveitamento que o Bloco fez da sua imagem.


São estes imponderáveis que fazem da política uma actividade imprevisível; fazer política é, por vezes, como tentar fazer geometria no espaço.

Dizem por aí as «más-línguas» que quem ficou contente com a derrota de Pedro Choy foi a sua própria camarada: a Presidente da Câmara. Diz-se por aí que ela ficou muito contente porque assim se sentiu vingada pelo facto de o Dr. Pedro Choy ter dado emprego a um assessor que ela tinha acabado de escorraçar da Praça da República.

Ao que parece, ninguém sabe das razões que levaram a presidente a despedir o triste assessor. Mas que este manteve um comprometedor silêncio, lá isso manteve. Nada de ajuste de contas…nada de defesa da honra…nada de indignação…o sujeito é escorraçado e fica calado. Hummm…quanto mais calado, mais culpado.

Ai, os assessores… um dia desses ainda escrevo um artigo acerca dos parasitas da política.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A POLÍTICA E A TECELAGEM

Platão comparava a política à tecelagem! A mistura de diversos tecidos e a arte de os conjugar e cozer, tinham algo a ver com a capacidade do político em encontrar equilíbrios na gestão de pessoas, cada uma com as suas próprias idiossincrasias.

Mas há mais: cada fio que forma o tecido político, isto é, cada indivíduo que intervém no processo político e participa na construção de um tecido político, deve perceber que mais importante que o fio, é o tecido no seu conjunto.

Na política, o fio é menor que o tecido; o indivíduo é menor que o partido e os interesses pessoais devem submeter-se, sujeitar-se aos interesses colectivos.

Quando há conflito de interesses, é o interesse do grupo que prevalece. O tecido vale mais que o fio! É por isso que o PSD/Salvaterra decidiu retirar a confiança política ao seu militante que representou o Partido na corrida à Junta de Freguesia de Salvaterra de Magos. Como já vi aqui, neste blog, uma referência a esse facto, não quero deixar de dizer, com toda a clareza, que o que esteve em jogo foi tão-somente isto: conflito de interesses. O interesse de um fio em conflito com o interesse do tecido!

Ora, ao coligar-se com o Bloco de Esquerda, pareceu-nos que o militante teve mais cuidado em assegurar os interesses pessoais que os interesses do Partido. Logo, a Comissão Política do PSD resolveu acautelar os interesses do Partido e fez o que tinha de fazer! O resto é novela…

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os minaretes na Suiça

Os suíços acabam de decidir, em referendo, a proibição da construção de mais minaretes. Para entender esta decisão há que entender, primeiro, o que o minarete representa.

Mircea Eliade explicou-nos a função sociológica das estruturas que, sendo erigidas, rasgam os céus: desde o ritual védico da erecção de um altar consagrado a Agni, à erecção da cruz por parte dos conquistadores portugueses e espanhóis, o que está em causa é o que ele chama de «cosmização» do espaço geográfico. Marcar o local.

«Os minaretes não são construções inocentes. São levantados para marcar o território e a progressão do islão em países estrangeiros», afirmou o deputado suíço Oskar Freysinger. E se há 180 locais de culto islâmico na pequena Suíça de 7,7 milhões de habitantes – seguramente mais do que o número de locais de culto cristão nos países muçulmanos – por que razão o minarete se torna o problema? Exactamente pela mensagem de «ocupação do espaço» (vertical e horizontal) que carrega. Espero é que a erradicação do cristianismo da Europa (vulgo laicização da Europa) não prepare o terreno para uma islamização da Europa... assim como Nietzsche, que admirava os pré-socrátricos, acusava Platão de ter preparado o caminho para o cristianismo...

Os bispos católicos na Suíça pediram a todos os católicos que votassem contra a proibição. Para ser franco, não acho que a liberdade de erecção, isto é, de construção, fosse algo que os preocupasse... o que a Igreja teme é que os poucos locais de culto, ainda autorizados no Médio Oriente, sejam alvo de retaliações. Apesar de admitir que não há «reciprocidade» nos países islâmicos, o Vaticano alertou para retaliações contra cristãos nos países muçulmanos. No fundo, no fundo, o que temos é MEDO: medo da violência, do terrorismo, da agressão, da resposta bruta a que um certo islão (esse islão radical) já nos habituou. Façamos a justiça de dizer que não é tudo «igual ao litro». Há islão que não é assim, mas há islão que é assim, e muito mais.

E, depois, há por aí uns cidadãos europeus, suíços, que não devem – literalmente – nada a ninguém e dizem: Construção de mesquitas na Suíça? Sim. Liberdade de culto para os 400.000 muçulmanos na Suíça? Sim. Integração social dos muçulmanos na Suíça? Sim (metade da equipe de futebol de sub-17, campeões mundiais, é composta por muçulmanos emigrantes da Bósnia e da Turquia). Aplicação universal da lei e da justiça – inclusive aos emigrantes muçulmanos que se «portam mal»? Sim (54% dos presos na prisão de Genebra são emigrantes muçulmanos). Sim aos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Aliás, não se esperava outra coisa do país de Calvino.

Sim a uma estratégia de ocupação muçulmana do espaço físico e ideológica de que os minaretes são símbolo? Os suíços acham que não.

domingo, 29 de novembro de 2009

Peripatético

A palavra «peripatético» é uma palavra grega que significa «itinerante». Peripatético(s) era o nome dado aos discípulos de Aristóteles por causa do hábito que ele tinha de caminhar enquanto dava as suas prelecções sob os portais cobertos do Liceu ou sob as árvores que o cercavam.

Este é o desafio: mais que caminhar fisicamente, quem ensina e quem aprende necessita ser peripatético, itinerante. Necessita continuar a caminhar por dentro, a fazer uma viagem interior, a despedir-se de antigos preconceitos e a atravessar novas ideias, apreender novos conceitos, e chegar a outras verdades – provisórias… – aventurando-se em novos cursos e percursos. Ensinar e aprender é ser caminhante, é ser um viajante das ideias.

Ensinar e aprender é um percurso, um caminho…sem fim à vista!

sábado, 28 de novembro de 2009

PRÉMIOS DE CONSOLAÇÃO...

O que é que José Mota em Aveiro, Isabel Santos no Porto, Miguel Ginestal em Viseu, Sónia Sanfona em Santarém, e Jorge Gomes em Bragança têm em comum?

Alguém sabe???

É fácil: foram todos candidatos derrotados do PS nas últimas autárquicas. Perderam uma Câmara, mas Sócrates deu-lhes um Governo Civil.

O que aconteceu em Lisboa também tem que se lhe diga: o PS conseguiu fazer eleger 19 deputados para a Assembleia da República. O 20º, que já não foi eleito, foi António Galamba. Sabe o que lhe aconteceu??? Não calcula??? Isso mesmo..Sócrates nomeou-o Governador Civil de Lisboa!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um país suicida

Basta comparar os dados da Transparency International: Em 2006, Portugal estava em 26º lugar no ranking dos países menos corruptos a nível mundial. Em 2009, caiu para o 35º lugar. Que “coincidência” chata: durante a última legislatura do Governo PS, assistiu-se a uma queda de nove lugares.

Um país com um índice tão elevado de corrupção no sector público, é um país doente.

1. Adoece socialmente porque se gera um clima de resignação, desistência, de conformismo social. O sentimento geral é o de que nada vale a pena: a sociedade demite-se das suas responsabilidades, renuncia ao sacrifício e abdica do sonho de alguma vez chegar a ver e a viver num país decente e viável.

2. Adoece politicamente porque há uma quebra de credibilidade em relação ao Estado e às suas instituições, de forma inelutável: políticos, gestores públicos, até magistrados gozam, parece, de privilégios vergonhosos e de uma impunidade aviltante. E um país sem instituições fortes é um país em desmoronamento.

3. Adoece economicamente porque espanta, enxota, afugenta de Portugal o investimento estrangeiro, do qual precisamos como de pão para a boca. Que multinacional investe num país que está em queda vertiginosa no índice de corrupção?

4. Adoece moralmente porque se instala um clima de regabofe geral: é o salve-se quem puder. O casal mais famoso de Portugal, o senhor cunha e a dona luva, entram em plena actividade. Os meios passam a justificar os fins e arranja-se uma boa desculpa para quase tudo e limites para quase nada.

Eu disse que um país com um índice tão alto de corrupção é um país doente..mas não: é antes um país suicida.

sábado, 14 de novembro de 2009

EXISTIR

Existir, segundo o significado etimológico da palavra, é estar fora de nós próprios, ex-sistere.

Há pessoas que são como planetas que só conhecem movimentos de rotação: entra dia e sai dia e o mundo delas revolve-se num entediante movimento centrípeto, sempre e somente em torno de si próprias. Pessoas egoístas, possessivas, excessivamente centradas em si próprias e nos seus interesses, não existem realmente. Não conseguem sair delas próprias. São como rosas que nunca abrem, fontes que nunca nascem, estrelas que nunca brilham. Não participam das mil e uma vidas que existem fora delas – mais, para elas não existem outras vidas, só a sua.

Existir, ex-sistere, implica sair de si próprio! E o maior êxodo é aquele que é feito para fora de si mesmo.

Sair de si próprio provoca um descentramento. O centro geométrico muda à medida que o outro começa a ocupar a sua atenção: começa a dar-se, a repartir-se, a semear-se nos outros. O grão de trigo, se não morrer fica só; mas se morrer, se sair de si próprio, passa a existir como pão que alimenta

Sair de si próprio implica arriscar – arriscar-se a sair para um mundo-outro onde nada é costumeiro, habitual, familiar. Enquanto permanecer no útero em que foi concebido – esse seu habitat natural em que a vida se foi desenrolando – nunca conhecerá outros desafios e novas dimensões de vida. As novas harmonias já foram dissonâncias; as novas descobertas já foram impossibilidades; as novas ideias já foram silêncios; o romance e a poesia já foram páginas em branco. Há que arriscar!

Sair de si próprio faz aumentar o horizonte de esperança. A vida deixa de estar limitada aos nossos poucos recursos e à nossa pequena dimensão. O nosso horizonte de esperança aumenta ao percebermos que existem outras ideias, outros dons, outros contributos, outros sonhos que fazem o mundo avançar e pular.

O maior desafio da vida é existir.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pedras e muros

O lendário grupo musical Pink Floyd editou, em 1979, um álbum de ópera rock que viria a ser um best-seller mundial com mais de 30 milhões de cópias vendidas. «The wall», ou o «O muro» era a história da vida de um anti-herói chamado Pink, o qual era constantemente deitado por terra por parte da sociedade. Para se proteger dessa sociedade que constantemente o desvaloriza, Pink foi construindo um muro imaginário criando a sua zona de segurança. Cada má experiência que tinha na vida era «mais um tijolo no muro». E, pouco a pouco, Pink foi tomando consciência da necessidade de derrubar o seu muro e abrir-se ao mundo que o rodeava. Era Rousseau que se referia ao facto de que o homem nasceu livre mas em todos os lugares estava acorrentado. Muros individuais, interiores, que referimos agora, dão origem a estes muros colectivos, exteriores que referimos de seguida.

Sobre uma tribuna colocada em frente ao muro de Berlim, o ex-presidente americano Ronald Reagan lançou um corajoso repto ao então presidente soviético Mikhail Gorbachev e que viria a ser uma das frases mais relevante do século: «Mr. Gorbachev tear down this wall» ou «Senhor Gorbachev, derrube este muro». Alguns anos mais tarde, em 1989, o muro de Berlim foi derrubado pondo fim a um período que a História apelidou de «guerra-fria». Esse facto fez nascer uma grande esperança no coração dos homens quanto à capacidade que começavam a demonstrar em destruir barreiras ideológicas, políticas, sociais, económicas e outras. Faz hoje 20 anos.

Já não é politicamente correcto construir ou manter muros. Hoje vivemos num imenso open space onde a palavra de ordem é livre acesso. As fronteiras tendem a desaparecer, dando lugar a espaços abertos de livre circulação. O conceito de Platão acerca de fronteiras e limites já está, por isso, desajustado. Era Platão que falava com grande reverência de Zeus Herkeios, o deus protector das fronteiras e chamava divinos aos horois, os limites entre os estados

Hoje, vivemos na era da partilha de informação, da miscigenação cultural, do intercâmbio. Tal como acontece com o processo da polinização cruzada, em que o vento transporta o pólen de uma flor para outra enriquecendo o património genético da flor receptora, assim também existe hoje uma polinização cruzada entre povos e culturas, dando origem a novas identidades. Como resultado disso, o mundo está cada vez mais pequeno e mais semelhante. As diferenças tendem a esbater-se e a dar lugar à formação da tão falada cultural global, uma espécie de mundo Mac Donald’s. Globalização é a palavra de ordem que reflecte esta nova atitude de demolição de muros, esbatimento das diferenças e aproximação entre os homens.

A muralha da China é, segundo dizem, a única estrutura feita pelo homem que é visível a partir da Lua. Observado a partir do espaço, o homem poderia ser definido como um construtor de muros. E neste dia de celebração da queda do muro de Berlim, vale a pena pensar que os homens constroem muros não tanto com as pedras que desenterram mas som com as pedras que lhes são arremessadas. O desafio continua.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ainda Saramago..só mais esta vez!

Com uma calma, uma serenidade a toda a prova, como que pairando superiormente sobre o caos, Saramago entrou por aqui a dentro, como um furacão imparável, a dizer que a Bíblia é um manual de maus costumes, que Deus não é de fiar e mais uma série de impropérios. Disse do cristianismo o que Maomé não disse do toucinho. Foi tal a tempestade, que pôs o país todo em estado de alerta vermelho...

Agitou as águas, fez trovejar, acendeu uns quantos relâmpagos, provocou um sismo de grau elevado na escala do dogma e ala, que se faz tarde. E como diz o meu amigo Joaquim Franco, jornalista da SIC, Saramago «fez sair da toca um certo "talibanismo" cristão, agressivo, que se pensava do passado».

Teve honras de entrevista em simultâneo na SIC e na SIC Notícias e mostrou que não vem cá para discussões. Falou calma e seguramente, do topo dos seus 85 anos que não deixam nada a dever à lucidez, à argúcia e ao vigor intelectual. Deixou rasto.

Na entrevista a que me refiro, Saramago pediu que sejam adicionados mais dois direitos aos tão celebrados «Direitos do Homem»: 1. O direito à dissidência e 2. O direito à heresia.

Bem sei que estes dois direitos não fazem parte da cartilha seguida pelo Comité Central do PCP de Saramago… aí, a dissidência e a heterodoxia são forte e exemplarmente punidos.

Mas isso não obsta a que Saramago tenha alguma razão. É preciso ter e conceder, às pessoas, a liberdade de dissidência e de heresia.

Estava aqui a pensar que as grandes religiões já foram, todas, um dia, consideradas seitas, dissidências. O budismo em relação ao hinduísmo, o cristianismo em relação ao judaísmo, o protestantismo e a Igreja Ortodoxa em relação ao catolicismo romano e por aí a fora...

E já para não dizer que as grandes doutrinas bíblicas, pilares e âncoras da mais rígida ortodoxia religiosa, começaram por ser consideradas, primeiro, como grandes heresias.

Dissidência e heresia estão, afinal, prenhes de sementes de futuro.

Nisto, estou com Saramago: viva o direito à dissidência…e à heresia.

domingo, 25 de outubro de 2009

Reacções à mudança dos tempos

Hoje mudou a hora... acontece assim duas vezes no ano. Mas há outra mudança mais importante a acontecer: a mudança dos TEMPOS! A primeira mudança é conjuntural; já a segunda é estrutural. A primeira interfere na vida de hoje… a segunda interfere no amanhã.

Não há volta a dar: os tempos vão mudando e, como nos disse Camões, «todo o mundo é composto de mudança».

Genericamente falando, podemos responder, reagir de quatro formas à mudança dos tempos

Podemos ficar indiferentes à mudança. Entramos em negação.

Podemos resistir à mudança. Entramos em desgaste.

Podemos adaptar-nos à mudança. Entramos em negociação.

Podemos transformar-nos pela mudança. Entramos em crescimento.


Deixo-vos com Heraclito, que disse que «nada é permanente, excepto a mudança».

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pensando bem...

Estava a pensar, ao «esmiuçar os sufrágios», que mais vale uma BOA DERROTA que uma MÁ VITÓRIA! É que uma forte derrota pode ser mais mobilizadora que uma fraca vitória!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rebanhos e pensamentos

Fernando Pessoa, agora na pele e na pena de Alberto Caeiro escreveu: «Sou um guardador de rebanhos, e os rebanhos é os meus pensamentos».

O problema não é ter muitos pensamentos - ah pois.... é que há por aí quem queria matar o rebanho e convencer-nos, ou forçar-nos, a parar de pensar. As ideologias no topo da lista – religiosas e outras!


O problema é outro e Sarte tinha razão: «o inferno são os outros». E é... esses muitos outros que nos habitam, nos incomodam, nos inquietam cá dentro....esses muitos outros (pensamentos) interiores que, como rebanhos rebeldes, não conseguimos domar e dominar! Esse é que é o problema: as ovelhas negras! Há que aprender a lidar com as ovelhas negras.

Que os montes e vales da nossa vida sejam povoados - densamente povoados - de pensamentos. Muitos pensamentos. Até, quem sabe, pensamentos difusos, díspares, diferentes mas que, no fim do dia, no fim da vida, recolhemos como o pastor recolhe as ovelhas no redil. E tornam-se, como que por magia, num rebanho afinal ordenado, conjugado, coerente.

Até logo, guardadores de rebanhos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Soberano mas não infalível...

Winston Churchill disse que a democracia é a pior forma de governo que existe…à excepção de todas as outras!

O facto é que, apesar de todas as incongruências, insuficiências e contradições do regime democrático, este continua ainda a ser o modelo que melhor viabiliza a organização de uma sociedade. Fukuyama chega mesmo a chamar à democracia liberal «o fim da História». Isto quer dizer que não há modelo sociopolítico para além deste e parece que o processo histórico chegou ao seu apogeu com a invenção da democracia.

Uma das suas enormes virtudes, a qual não podemos escamotear, é a possibilidade da participação individual no processo político. «O povo falou», foi talvez a frase mais repetida na noite do dia 27 de Setembro.

O povo falou. Certo. Deu-se-lhe vez e voz. E o regime democrático «manda» aceitar o veredicto. A maioria falou; o povo é soberano e está dito. O PS ganhou as eleições e não passa pela cabeça de ninguém, em perfeito juízo, impugnar, questionar, duvidar ou rejeitar os resultados. Podemos questionar a esperança de vida deste governo,mas não questionamos, digo eu, que este governo transmite alguma esperança de vida às pessoas. É optimista, reformista, ousado, moderno.

A minha preocupação prende-se com outra coisa: é certo que o povo é SOBERANO, mas o povo não é INFALÍVEL. E quem é que me garante que a maioria decide bem? Não digo que não se tenha decidido bem nas últimas eleições, mas a questão pode e deve ser colocada em abstracto: o povo é soberano mas não é infalível. E se o povo erra? É uma chatice…tanto mais quando a DEMOCRACIA se deixa infiltrar pela DEMAGOGIA.


E não estamos fartos de ver e saber que o povo, as massas, o rebanho, a multidão… é dada à superficialidade do discurso demagógico? Do político, do religioso...

Que fazer? Deixar um decidir por todos? Não. Deixar um grupo de «notáveis» decidir por todos? Também não! Não deixar que ninguém decida? Muito menos.

O que há a fazer é duro, difícil, demora e às vezes desmotiva: o que há a fazer é insistir em fazer-se formação política. Esta é a chave: formação política, logo desde o Primeiro Ciclo (no meu tempo de criança chamava-se escola primária). Ensinar às crianças a importância de valores como o da responsabilidade individual, o da participação cívica, o valor da liberdade, da tolerância, da pluralidade...

Formação política. É o que vamos fazer aqui em Salvaterra. Logo dou mais notícias…